segunda-feira, 22 de novembro de 2010

no compasso

No passo do seu compasso, me faço de puro aço, num curto tempo-espaço, pra poder te segurar...
No meu compasso que passo, me desfaço e refaço, de puro espaço que traço pra você me acompanhar..
No nosso compasso, eu faço. Costuro, refaço o traço. Me enxo com o nosso espaço, pra gente poder se amar

terça-feira, 16 de novembro de 2010

senhora

como uma flor no deserto
eu sei que você vem
insistindo em viver
porque sabe o que tem

sua luta é diaria
eu conheço sua dor
sem lugar pra sofrimento
em voce, vejo o amor

vi você se anular
quantas vezes já chorou
sem tempo pra soluçar
você não desanimou

e sem ter com quem contar
nunca vi esmorecer
aprendeu a se criar
continuou a florecer

ah, minha senhora
o tempo que foi ruim
fica do lado de fora

ah, minha senhora
sua força pra seguir
me acalenta, me consola

e se quiser saber
sobre tudo que passou
eu me orgulho em dizer
sobre o que me ensinou

e de tudo que enfrentou
saiba que aprendi a andar
antes, você me criou
pra eu aprender a amar

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

samba ao amigo

não se afobe se perder
o vento sempre leva o que traz
nunca desista sem ter paz
paciência é virtude até demais

vá, sem tristeza no olhar
a pedra, pra quem caminha, é tropeçar
vá. pra cair, só levantar
e quando precisar estarei lá

não se deixe abater
nos dias que o querer não for poder
o dia dorme pra poder sonhar
mantenha o horizonte no olhar

vá, ande sempre devagar.
a cautela é companheira pra dançar
vá, pra esperança não faltar,
lembre sempre de quem vai poder contar

terça-feira, 19 de outubro de 2010

lirio

minha morena
minha pequena
que tem esse jeito de acanhar

eu trouxe a noite
céu, estrelas e luar
travesseiro e cobertor
pra gente poder se amar

minha fada-borboleta
brilho de olhar
arco-iris, flores
feitos pra te dar

minha pequena
é toda plena
em seu jeito de amar

trouxe também
meu coração para juntar
ao seu, pra dois em um descompassar

fiquei completo quando me deixou entrar
e você é quem eu chamo de meu lar

domingo, 17 de outubro de 2010

Vou te contar

minha preta vem cá
que eu vou te contar o que você quiser saber
que sem você meu passado foi só um sofrer
sem acreditar que um dia podia receber

mas, pra você ver
o quanto a vida pode nos surpreender
e a gente muda sem nem mesmo perceber
o casulo se rasga pra borboleta crescer

minha preta vem cá
que eu vou te contar o quanto posso te amar
que eu vou construir pra gente poder vir morar
que eu vou te mostrar que pode sempre confiar

e pra você ver
a felicidade que brotou, pra sempre crescer
a nossa verdade que ficou, nos surpreender
esses dois em um, uma só frase vai dizer

eu amo você

domingo, 29 de agosto de 2010

promessa

é fato, é fato
que nunca gostei de trabalhar
mas se você bem se lembra o nosso trato
um dia eu irei te sustentar

você aceitou ficar comigo
e eu prometi que ia largar o bar
não jogo mais a sinuca da esquina
minha menina, agora sonho com o nosso lar

hoje eu vivo só de galho
mas a gravata ainda sai do meu armário
troquei cerveja, boemia e o baralho
por cerca branca, cachorro, gato e canário

malandro hoje pega o metrô
sem se esquecer daqueles tempos de bamba
ainda lembro os tempos de navalha
mas eu reservo essas lembranças nesse samba

é fato, é fato
só o farrapo, eu andava sem sapato
mas o chinelo de dedo que não gosta
eu viro as costas e deixo ele no quarto

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Papo de bar

traz uma pra mim
que eu já ascendi o meu cigarro
manda a saideira
porque ando sempre atrasado

na minha vida
de contexto embaraçado
há uma saida
que sempre está ao lado

e apago no cigarro

traz outra pra mim
que eu já perdi a minha hora
esquece a saideira
porque não vou agora

sopra o vento lá fora
penso no meu cansaço
e o meu coração chora
já acabou meu maço

agora, eu que faço!

eu sou meu tempo
eu faço a minha hora
vou de encontro ao vento
do lado de fora
cansei do meu atraso
meu samba não demora
venci o meu cansaço
agora vou me embora

mas antes, traz a saideira...



Diogo Shogun e Pedro Paulo